Fim de 2014... início de 2015. Ano novo!

11 dezembro, 2014


         Foi pensando em falar sobre fim de ano e início de ano novo que resolvi convidar minha supervisora Jaqueline Cássia de Oliveira, para falar sobre a vida, planos, metas e expectativas que criamos em prol do ano que esta se finalizando e um novo que está por iniciar. Ela é Psicoterapeuta Sistêmica em Belo Horizonte, também atua com Psicogenealogia Sistêmica e coordenadora de cursos de formação para novos profissionais.
"Jaqueline, pra mim é uma honra ter sua participação aqui no meu blog. Seja muito bem vinda, sempre."

Segue abaixo a nossa conversa:

Fernanda Cavalcanti:
Em meio a tantas informações, tecnologias e o corre-corre do dia a dia, o ritmo fica bem acelerado, como se estivéssemos correndo contra o tempo; algumas pessoas se sentem angustiadas, deprimidas e cansadas. O que você poderia falar sobre esta situação?

Jaqueline Cássia:
De fato, estamos vivendo um dos períodos mais complexas que tivemos. A população do planeta cresceu muito, assim temos problemas muito mais complexos do que há séculos atrás, que exigem mais empenho na busca de soluções. Mas quanto aos sintomas de angústias, depressões e cansaços, estes sempre existiram e são presentes na vida do ser humano em todos os tempos. Podemos verificar isto através da arte e da literatura.  O ser humano sempre apresentou angústias, depressões, cansaços, em qualquer tempo ou em qualquer civilização. Faz parte da natureza humana. Pode ser num grande centro urbano ou  em um pequeno povoado de muitos séculos atrás. Sempre existiram pessoas que viveram suas depressões e angústias.  Portanto, estes sintomas da alma humana não estão relacionados somente há um tempo ou a um ritmo de vida. Talvez a depressão e angústia, em qualquer tempo e lugar, seja a expressão de uma espécie de briga ou inabilidade do ser humano de lidar com a vida e com o real.  O filme de Roberto Benigni – A vida é bela – que passa dentro de um campo de concentração, mostra muito como é possível, mesmo em um lugar tão adverso, buscar recursos para ser feliz. É possível... mas temos pouca habilidade e disposição para sermos felizes.
        
Fernanda Cavalcanti:
Nessa época de fim de ano e de natal a mídia incentiva muito à troca de presentes; o que não nos falta são opções. As crianças esperam ansiosamente pelo presente que o ‘Papai Noel’ irá deixar no seu par de meias ou sapatos; algumas crescem com esse mesmo olhar materialista e mais nada. Enquanto psicóloga familiar, qual sua posição em relação a esse assunto e o que você poderia deixar como uma alerta aos pais e familiares?

Jaqueline Cássia:
O ser humano nasce e vive mergulhado no imaginário. Somos filhos da ilusão e a mídia trabalha para atingir o imaginário das pessoas, sejam crianças, jovens, adultos.  E isto não é bom e nem é ruim... Quanto ao trabalho do psicoterapeuta familiar não entendo que seja de alertar, mas de favorecer a qualquer cliente a refletir sobre o que é valioso e o que é importante na sua vida.
Valor está ligado à gente: saúde, família, amigos, companheiros, etc.
Importância está ligado a coisas: dinheiro, títulos, carros, casas, etc.
Um não está acima do outro. Mas andam lado a lado, porém em categorias diferentes.
O material é importante, a saúde é valiosa. O diploma, os estudos, o carro, o  dinheiro, são importantes sim  e a saúde, os amigos, as pessoas que amamos, estas são valiosas. Se perdemos saúde, se perdemos quem amamos, perderemos grandes valores, insubstituíveis.  Se perdemos dinheiro, trabalho, títulos, perdemos importâncias, mas que podem ser reconstruídas, refeitas. Aqui o trabalho do psicoterapeuta não é de alertar, mas de SENSIBILIZAR AS PESSOAS para integrar estas duas partes.

Fernanda Cavalcanti:
Existe relação sobre o ritual de encerramento de ano e início de um novo ano acerca do sentido da vida? O que as pessoas poderiam refletir sobre isso?

Jaqueline Cássia:
A vida é cíclica. Tem o ciclo da escolha da semente, de capinar, de semear, de esperar a semente germinar, capinar, até chegar aos frutos tem um longo processo. A vida é assim. Tudo tem início, meio e fim. O que nasce, um dia morre. O fim do dia, o fim do mês, o fim do semestre, o fim do ano, são fins que servem para nos posicionar no fechamento de etapas, de trabalhos, de estudos e para abrir um espaço para o novo. Não interessa se prestamos atenção ou não às etapas e ciclos da vida, porque o fim chegará de qualquer forma. A vida é assim: feita de momentos, de ciclos, de estações, de etapas... Quanto mais estivermos vivenciando o ciclo condizente à nossa idade, ao nosso momento, mais teremos a força da vida a nosso favor.

Fernanda Cavalcanti:
Todo início de um ano novo muitas pessoas fazem suas listas de metas a seguirem com uma grande expectativa, porém algumas encerram o ano e essa lista que no início impulsionava tanto, se torna instrumento de angústia, pois não conseguiram atingir quase nada e sentem-se fracassadas. Qual mensagem final você pode deixar aqui para todos os leitores que provavelmente estão criando suas metas e expectativas para 2015?

Jaqueline Cássia:
Envio um texto que escrevi e considero que este responda a pergunta.

Esquerda: Fernanda Cavalcanti
Direita: Jaqueline de Cássia

DAS DELÍCIAS E DOS DISSABORES DE 2014
COMO VIVEMOS CADA ANO DE NOSSAS VIDAS?
"...e quando não se tem um rumo definido é muito fácil perder horas, dias, meses ou anos sem se dar conta disso." (Amyr Klink)

E assim a cada final de ano fazemos um balanço da vida, com uma tendência de prestarmos mais atenção nos dissabores e jogando com as possibilidades de delícias para o próximo ano.
Mas o que não aceitamos bem é que a nossa vida é feita de delícias e de dissabores todo o tempo.
O que é ruim também pode ser bom e o que é bom também pode ser ruim.
Certa vez, um cliente em psicoterapia, fazendo avaliação de sua vida me disse que TUDO estava péssimo.
Corria o risco de perder o emprego porque não havia terminado seus estudos. Tinha muitas dívidas e seu carro havia sido roubado e não tinha seguro. Depois de se lamentar muito, eu perguntei o que tinha de bom nisto tudo. Ele mais chateado ainda, disse que nada e que só tinha coisas ruis acontecendo.
Então eu tentei ajuda-lo a ampliar sua consciência dizendo-lhe que o que realmente estava acontecendo de ruim é que ele cuidava muito mal daquilo que possuía.
E o que tinha de bom nisto é que a vida estava lhe dando avisos. E que a minha sugestão é que ele prestasse mais atenção e cuidasse com mais atenção daquilo que possuía. E o que tinha de bom nisto é que a vida estava lhe dando avisos. E que a minha sugestão é que ele prestasse mais atenção e cuidasse com mais esmero daquilo que possuía...
Portanto, perceber os DISSABORES como avisos e sinais da vida nos ajuda a mapear novas mudanças de direção e a busca de novos rumos.
E como no caso dos dissabores, também não valorizamos as DELÍCIAS da vida e ficamos presos na imaginação de que algum dia poderemos saborear a vida.
- Hoje não está saborosa porque tenho muito trabalho;
- hoje não está saborosa porque meus filhos ainda são pequenos;
- hoje não está saborosa porque a vida está muito difícil...
E aí vamos protelando o dia de saborearmos a vida... Quem sabe no próximo ano!!
Ah! O próximo ano! No próximo ano vou fazer tanta coisa saborosa e nutritiva!
- Vou estudar, vou fazer ginástica, vou viajar e por aí afora...
Mas todo ano é o próximo ano daquele que se foi. O ano de 2014 era o próximo em 2013...
Então o que aconteceu que nem todos se deliciaram com este ano de 2014?
Aconteceu que muitos ficaram presos na imaginação. Primeiro imaginaram que o próximo ano seria m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o ! Como na canção: “muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender!”
Em seguida idealizaram e na idealização só pensamos nas coisas boas e positivas e excluímos a possibilidade de coisas difíceis.
E para complicar mais ainda, criamos expectativas. Esperamos... esperamos... esperamos o quê? Esperamos que tudo aconteça da forma como imaginamos… tudo fácil e lindo…
Mas aí acontece o teste do REAL. O ano começa, a rotina se instala e as pessoas continuam na sua inércia fazendo sempre o que fizeram. Então vem a decepção e por fim a frust-ação!
Paralisados, sem movimento, começam a perceber somente os dissabores...
Mais um ano se passou, muitas idealizações foram feitas, mas no REAL, esquecemos que por estarmos vivos, teremos que provar de todos os sabores que a vida oferece: doce, amargo, azedo, salgado, picante e tantos outros!
O próximo ano é o desdobramento deste ano. Quem saboreou as delícias e dissabores de 2014, com certeza terá um paladar mais apurado para o ano de 2015!
E para quem ainda não saboreou o ano de 2014 a minha sugestão é parar de ruminar e cuspir aquilo que não serviu e engolir o restante que for mais nutritivo, não necessariamente gostoso...

Ótimo texto para refletirmos!
Obrigada pela participação tão especial Jaqueline.
Desejo a todos vocês um feliz natal e que tenham um paladar bem apurado para o ano novo de 2015 no qual desejo que seja cheio de delícias!


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Notas:
               1. Deixo aqui os principais meios de contatos de Jaqueline para quem se interessar: 

Jaqueline Cássia de Oliveira
Psicoterapia Sistêmica; Psicogenealogia Sistêmica; Cursos
(31)3261-4532   



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4 comentários:

  1. Interessante quando ela aponta como ruminamos na imaginação e não colocamos em prática.E isto se acentua agora no final do ano.Parabéns Fernanda pela iniciativa.

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  2. Karine, esse é um ótimo período para refletirmos sobre o que não colocamos em prática e ver as possibilidades de fazê-las. Muito grata pela participação. Abraços!

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  3. Muito importante termos ciencia dos ciclos. Muitas pessoas não aceitam o fim do ciclo, mas não sabem que com o fim da início a outro ciclo. Ótimo texto.

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  4. Verdade... precisamos aprender a nos preparar para vivenciar cada ciclo com aquilo que eles tem a nos oferecer, sem antecipar ou adiar.

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