Cárcere privado

20 abril, 2015

Os rótulos sociais como agressões silenciosas


“A mocinha quer saber por que ainda ninguém lhe quer
Se é porque a pele é preta ou se ainda não virou mulher
Ela procura entender porque essa desilusão
Pois quando alisa o seu cabelo não vê a solução”
(Música: Marias - Karol Conká)

“Mulheres são do sexo frágil, vestem rosa, são delicadas e podem chorar. Homens precisam ser valentões, frios, fortes e não podem chorar. Mulheres não podem ter celulite, estrias e muito menos envelhecer. Homens têm que ser pegadores e nunca podem broxar.” Por acaso essas indagações lhe soa, em algum momento, familiar?
Desde que se descobre o sexo do bebe na barriga da mãe, já induzimos a criança como ela deverá ser e como se comportará. Assim, já chegamos ao mundo e encontramos quase tudo pronto a nos esperar: projetos, títulos e uma realidade social imposta pelo gênero, pela religião, pela raça, nível social, etc. Restando-nos apenas seguir, naquele momento. E se por algum acaso decidirmos traçar outro caminho, acabamos quebrando esses padrões e sabe-se lá de qual maneira irão nos julgar.
Nós, enquanto sociedade, criamos rótulos e estereótipos o tempo inteiro. Bem como julgamos os demais quando estes fogem desse padrão já estabelecido.  Mas, até que ponto a nossa conformidade social é moldada?




Rótulos são como cárceres privados, onde existe alguém que está em volta de um sistema que o impede de exercer o direito de ir e vir, bem como suas próprias escolhas. Ao tentar permanecer e corresponder a um padrão já imposto, passamos por cima principalmente de nós mesmos. Mas até que ponto tudo isso é bom ou ruim? Onde podemos chegar à busca constante de nos enquadrarmos nesses ‘modelos padrões?
É nesse caminho de tentativas e desejos, para sermos aceitos e bem vistos, que encontramos uma série de homens e mulheres que buscam se enquadrar em alguns padrões. O estereótipo nos é impregnado tão fortemente, que é fácil visualizarmos mentalmente alguns papéis sociais, como por exemplo, a beleza, que chega a passar da normalidade. Com ajuda da mídia, popularizam a mulher como modelo e sempre de aparência juvenil; o homem alto, forte e rico.
É nesse sentido que observamos o grande aumento na porcentagem de cirurgias plásticas, silicones, botox, uso de anabolizantes, dietas milagrosas, desordem do sono, ostentações de padrões de ‘riqueza’ que nem sempre possuem, e por aí vai.

E qual será o preço desses estereótipos?

          O preço é a variedade de sintomas que encontramos por aí nas clínicas psiquiátricas e principalmente de psicologia. O aumento constante e exagerado no uso de medicamentos para ansiedade, depressão, transtornos alimentares como anorexia e bulimia, a vigorexia, termo utilizado para os homens magros que fazem de tudo para adquirir massa muscular, etc. São sofrimentos psíquicos silenciosos que se manifestam em forma de sintomas tanto em mulheres quanto em homens.




          Contudo, assim como qualquer prisioneiro, necessitamos avaliar o motivo e a profundidade do envolvimento aos padrões em que estamos engessados, que em muitos momentos nos fazem agir com preconceitos ou nos envolver afundo num modelo previamente rotulado.

E você leitor(a), quais são os estereótipos que te levam a permanecer em cárcere privado?



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Notas:
                  1. Autora: Fernanda Almeida Cavalcanti
                       Psicoterapeuta Sistêmica Familiar em Montes Claros/MG
                       Atende Casais, Famílias e Individual

                 2. Este texto já foi publicado no jornal 'O Barranqueiro' da cidade de São Francisco/MG e                           'Notícia' de Montes Claros/MG.


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