Só lembranças, ficaram em mim!

28 abril, 2016

"Nos trilhos do pensamento
Só lembranças, ficaram em mim
Só lembranças do que teve fim"

(Trecho da música: Só lembranças de Rionegro e Solimões)




Revendo alguns arquivos antigos no meu computador, me deparei com uma pasta de fotos, vídeos e áudios de um curso que participei em Belo Horizonte/MG no ano de 2012, que para mim foi um 'divisor de águas', pois me fez refletir sobre as diversas angústias e decisões que perpetuavam a minha vida naquele momento e que afetariam várias outras pessoas.

Entretanto, eu teria que enfrentar sozinha, pois incluiria todo um estilo de vida, padrões de funcionamento e comportamentos que, apesar de serem escolhidos e vividos por mim, já não faziam mais parte daquela Fernanda, pelo contrário, só aumentavam as angústia. Resumindo: transformação pessoal.


Eu e Rodolfo


O curso foi com um profissional psicólogo que veio da Itália: Rodolfo de Bernart. Ele é um dos fundadores do Istituto di Terapia Familiare di Firenze, uma escola para profissionais psicólogos que queiram continuar investindo no crescimento profissional pós-universidade. Seus treinamentos, estudos e especializações são com grandes psicólogos como: Salvador Minuchin e Maurizio Andoh.


Turma de psicólogas que participaram do curso intensivo de três dias

O trabalho envolveu uma média de 15 psicólogas, nos quais estudamos e aplicamos, na prática, técnicas clínicas, como: o genograma fotográfico, leitura do inconsciente através de colagem com gravuras aleatórias (infelizmente, não tenho fotos), escultura familiar dentre outros.



Genograma com fotografias


O genograma fotográfico é elaborado por cada pessoa com fotos em todas as fases da vida até o momento atual, evidenciando os acontecimentos marcantes: recém nascido, infância, adolescência, adulta e idoso se for o caso, totalizando 30 fotos.

É montado em cima de cartolinas que são escolhidas aleatoriamente pelo dono do genograma, pois as cores e formas de criar também é levada em consideração.

Os principais pontos que foram considerados na leitura do meu genograma foi:

- eu fui uma criança totalmente velha. O que significa isso? Não vivi como uma criança, no sentido de brincar, correr, cair, aprontar, sorrir, sujar, etc. No geral meus comportamentos eram de pessoas mais velhas, muito 'ajuizada' e séria, uma boa menina. Quase todas as minhas fotos na infância foram vestidas de anjo em apresentações na igreja;
- minha saída, aos 14 anos, da casa dos meus pais, para morar sozinha numa grande cidade com intuito de estudar (coragem e enfrentamento);
- meu casamento já havia acabado, mas eu ainda não havia percebido ou aceitado. E acredite, eu tinha colocado somente uma foto de quando namorávamos. Detalhe: era recém casada;
- uma foto de uma amiga grávida. Já significando a ânsia por uma nova vida, por renascimento;
- por incrível que pareça eu utilizei todas as cartolinas brancas, menos a última onde coloquei uma foto bem marcante, de uma viagem que fiz ao Rio de Janeiro e, atrás, aquela paisagem maravilhosa que a cidade nos oferece.

Era exatamente isso que eu estava buscando. Um universo com todas essas maravilhas e possibilidades, que unindo a foto com a cor da cartolina, amarela, chegávamos nos resultados obtidos hoje (mas que é claro eu nem imaginava).

Amarelo significa: calor, luz, descontração, prosperidade, felicidade, otimismo e alegria, também simboliza o sol, o verão. É uma cor inspiradora que desperta a criatividade, estimulando as atividades mentais e o raciocínio.

O mais interessante foi que eu levei mais de 30 fotos, mas no momento que finalizei, Rodolfo observou que eu havia exposto somente 29 fotos.

Por que?

Bom, são vários os significados, mas o que importa aqui é que a partir disso tive uma tarefa: ao invés de completar com uma foto, eu teria que viver aquela suposta última foto.

E literalmente estou vivendo até hoje!



Técnica vivenciada: Escultura Familiar


A Escultura Familiar foi outra técnica incrível na qual eu imaginava uma fotografia da minha família atual e depois há 05 anos. Em seguida, tive que escolher, dentre as participantes, cada pessoa para representar os membros familiares e colocar em posições que eu visualizava cada uma.

O fato é que ficávamos parados ali por um tempo, primeiro alguém me representava e eu de fora só observando, depois eu entrava na escultura para sentir as emoções presentes ali

Foi incrível porque me deparei com algumas situações surpreendentes, tais como: em 05 anos estaríamos do mesmo jeito, sentindo as mesmas emoções, sejam boas ou ruins, com os mesmos padrões. Isso foi o que mais impactou, porque não visualizava mudanças. E onde não há mudanças, não há crescimento, nem aprendizagem, muito menos coisas novas.

Conclusão: essa não era minha vida, pelo menos, não a que eu queria viver.

Ao final, fizemos uma roda onde cada uma iria falando seu parecer, como se fosse uma mensagem final, gravada, para que eu ouvisse ao voltar para casa.




Rodolfo de Bernart e Silvana (psicóloga que organizou o evento e tradutora/intérprete)


Não digo que esse curso foi o vilão causador das várias decisões importantes que tive na minha vida pois envolvem uma série de outros fatores, mas é fato que foi um 'tapa na cara' para enxergar minha situação e saber que precisava mudar os fatos que me levavam a tantas angústias e decepções.

Hoje, quase 05 anos após o curso e a tantos outros acontecimentos marcantes em minha vida, olho para trás, como numa retrospectiva e sinto que tudo valeu muito a pena. Vivi e estou vivendo intensamente a minha 30° foto, cumprindo minha tarefa.

Não sei se foi o melhor caminho, as melhores opções, o melhor jeito e nem sei quais seriam os outros. Mas tenho a certeza que não me arrependo de nada da minha jornada até aqui, pois foi esse caminhar, com erros e acertos, que me trouxeram onde estou e me fizeram tornar a pessoa que sou hoje.

Os acertos quero repetir. Os erros... sempre serão passageiros e terei como aprendizado!

E não vejo minha vida de outra maneira. Cada minuto vivido, cada dia, semana, mês e anos, foram de muito crescimento interior e progresso, porque essa sim sou Eu: inquieta e fascinada por tudo que é novo e agrega crescimento interior.


Essa seria minha 30° foto, hoje! Tem todo um significado pra mim.
Fiquem à vontade para tirarem suas conclusões. rs


Utilizei desse curso para descrever um pouco sobre meu jeito de ser, pensar e agir de uma forma geral. Desde já, convido você a fazer esse exercício: feche os olhos e imagine sua família num retrato atual, visualize todos os detalhes, onde cada um se encontra, as expressões faciais de cada pessoa, as emoções transmitidas, depois, abra os olhos, respire, e volte a fechá-los imaginando agora um retrato da sua família daqui a 05 anos.

- Como estariam?
- Quais lugares cada um estaria, do lado de quem?
- Quais são as expressões faciais?
- Quais emoções são transmitidas?

Depois, reflita sobre o que sentiu e observou:

- Estava tudo do mesmo jeito ou mudou alguma coisa?
- Sentiu quais emoções: tristeza, alegrias, angústias...?

Reflita!



Se você identificou de alguma maneira com a minha história, deixe seus comentários aqui ou no e-mail, compartilhe comigo qual foi o momento na sua vida que é considerado um 'Divisor de águas'.

Ou, se tem dificuldades, impasses que lhe impedem de mudar, viver o novo e enfrentar as dificuldades, compartilhe também, quem sabe posso te ajudar a encontrar... ou não! rs

Abraços!



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Notas:
                  1. Autora: Fernanda Almeida Cavalcanti
                       Psicoterapeuta Sistêmica Familiar em Montes Claros/MG
                       Atende Casais, Famílias e Individual

                 

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