Só amar não basta!

31 maio, 2016


 É com muita satisfação que tenho a participação aqui no blog de mais uma grande e admirada colega de profissão: Solange Maria Rosset.
Ela é de Curitiba, Terapeuta Relacional Sistêmica e autora de vários livros. Aqui ela nos deixa um texto que desmistifica alguns pontos relacionados ao Amor.

Confira:

                                 SÓ AMAR NÃO BASTA!


“Claro que o sentimento é importante, mas está longe de ser tudo numa relação. Sacrificar a dignidade, a autoestima somente porque ama, por exemplo, não vale a pena. De todo modo, não se pode descartar uma união agradável e rica por acreditar que não envolve amor suficiente. A vida a dois requer respeito, parceria, projetos em comum. Quando existe amor, melhor ainda.”

  Culturalmente, as pessoas estão condicionadas a acreditar que o amor é o mais importante em uma relação. A família ensina assim e a sociedade, de uma forma ou de outra, corrobora a crença.

         Mas pensar dessa forma nem sempre é saudável para quem vive um relacionamento. Amor é bom, mas não é tudo. Acreditar nisso impede que os parceiros avaliem o compromisso conjugal com clareza e distanciamento, que enxerguem o que está acontecendo naquele determinado momento da relação, e dificulta as aprendizagens, as mudanças.

  Quando essa definição cultural se soma a dificuldades pessoais, a união vai se cristalizando e perdendo a possibilidade de ser reavaliado, redefinida, recontratada. Por carência, ilusão ou medos, muitas pessoas ficam em relacionamentos ruins com a desculpa de que os envolvidos “se amam”.

     O fato de considerarem isso o mais importante faz com que não avaliem outros aspectos, muito importantes, que fazem parte de uma relação de casal. Em nome do amor, suportam ser maltratadas, rejeitadas, desqualificadas. Convivem com a solidão a dois, com a falta de parceria (no uso do dinheiro, nos projetos, na divisão de tarefas). Ou toleram diferenças profundas de valores, de ética, de moral. O fato de haver amor acaba se tornando uma desculpa para não tomar decisões, fazer escolhas ou responsabilizar-se.

    Por mais importante que seja, o amor é apenas um dos elementos que justificam uma relação. E não estou falando em paixão – aquele entusiasmo desorganizador, avassalador, que faz com que a pessoa só enxergue no outro o que lhe agrada e só mostre para o outro o que o manterá interessado.

    Estou falando de amor verdadeiro, forte e profundo. Aquele sentimento de pertencimento, de carinho e compaixão, de satisfação de estar junto, de compreensão e respeito pelas dificuldades do outro.

        Mesmo esse encantamento maduro não é suficiente para manter um relacionamento saudável. Além dele – e, em alguns casos, mais do que ele –, precisa haver respeito, qualificação, parceria, projetos e objetivos comuns (o que inclui a aquisição de bens, a decisão de ter filhos ou não e outras coisas que envolvem os dois).

   Os casais que têm essa soma de elementos e também amor são privilegiados. E sabem que vale a pena dedicar-se, esforçar-se, alimentar o amor e as outras características da relação para manter e solidificar a parceria.

          Para outros, o amor nem é o principal. A vida em comum, rica e agradável, basta. O sentimento amoroso acaba por ser alimentado por todos os outros elementos. Nesses casos, quem enxerga a complexidade da situação pode, com maturidade e perseverança, cuidar da relação e torná-la cada dia mais plena e realizadora.

         Agora, se um ou outro cai na armadilha de achar que o que tem é pouco, porque acredita naquela verdade preestabelecida de que o amor é tudo, correrá o risco de se entregar aos melindres da carência e da fantasia, pondo a relação em risco.

       Por isso é que se faz necessário acabar com o mito: mais importante do que o casal se amar é ele viver bem e feliz, num relacionamento que traz aprendizagens e crescimento. Isso é uma relação plena.


Autora: Solange Maria Rosset


Esquerda: Solange Rosset
Direita: Fernanda Cavalcanti


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Notas:
                  1. Este texto também está disponível no site: www.srosset.com.br e já foi publicado na                                Coluna AMOR da revista CARAS 983 de 07/09/2012.

                  2. Deixo aqui uma ótima indicação para quem gosta de assuntos sobre relacionamentos                            amorosos: "O casal nosso de cada dia." Editora Artesã - 2° ed. 2014. Esse livro é da                            própria autoria de Solange Rosset.

                    3. Principais meios de contatos da Solange para quem se interessar: 
            Solange Maria Rosset
            Terapeuta Relacional Sistêmica
            Tel.: (41) 3335-5554
            E-mail: srosset@terra.com.br
            Site: www.srosset.com.br


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